🌹 Minha bisavó por parte de mãe ficou calada para sobreviver. Eu falo para honrar.

🌹 Minha bisavó por parte de mãe ficou calada para sobreviver. Eu falo para honrar.
Meu nome é Guilherme de Almeida Menezes.
Dentro de mim pulsa uma ausência que é mais que minha — é ancestral.
Um silêncio ancestral atravessou o tempo e chegou até mim em forma de vazio.
Minha bisavó por parte de mãe, Kalena Mitrak, nasceu em Odessa, na Ucrânia, e chegou ao Brasil em 1926, refugiada.
Provavelmente judia, como algumas pistas sugerem, trazia um medo que vinha de longe — do cerco sanguinolento que engoliu
o Império Russo e se espalhou pela União Soviética, onde qualquer suspiro de liberdade era sufocado.
O pai de minha bisavó, Ivan Mitrak, foi oficial — talvez ministro — na corte de Nicolau II, o último czar da Rússia.
Mas tudo isso se esfacelou. A Revolução Russa destruiu os arquivos do império; documentos, memórias e identidades
desapareceram como fumaça. Os vestígios que restaram foram saqueados ou queimados, como se nunca tivessem existido.
Pouco convivi com minha bisavó. Mas sei que, aos nove anos, ela teria visto Rasputin no Palácio dos Romanov —
segundo testemunho de um sobrinho já falecido. Essas memórias fragmentadas brilham como cacos de vidro, afiadas e reluzentes,
mesmo depois de tantos anos.
Sempre que alguém mencionava seu passado, minha bisavó por parte de mãe juntava as mãos ao peito,
como se fosse interrogada de novo. O peso invisível a esmagava. O silêncio era sua cela.
Ao chegar ao Brasil, desembarcou pela Ilha das Flores e foi viver em Araruama, no Rio de Janeiro.
Lembro dela, já cega aos 70 anos, mas suave, cheia de carinho. Enquanto minha família se reunia no quintal cheio de vida,
eu lia meus gibis da Turma da Mônica ao lado dela — sem saber do mundo de dor que ela escondia.
Talvez o passaporte que ela usou estivesse falsificado — não sabemos se era original.
Talvez alguém tenha falsificado os documentos para salvá-la. E se assim foi, meu agradecimento vai a esse gesto de coragem anônima.
Porque, sem isso, eu não estaria aqui hoje, escrevendo estas linhas.
Minha bisavó tinha duas irmãs: Maria e Anastácia. Mas, dela mesma, restou quase só o silêncio e o medo.
Durante muito tempo, busquei respostas em consulados — ucraniano, russo — e em documentos oficiais, sem sucesso.
A história se esvai como água entre os dedos.
Hoje, vejo que o mesmo medo que silenciou minha bisavó ainda ecoa.
Um país onde a corrupção é endêmica, onde julgamentos ideológicos tentam esmagar vozes — tudo me parece um eco distante da opressão soviética:
calar, esmagar, aniquilar.
Mas eu não posso me calar. Não posso fechar o punho no peito e me render ao medo como ela fez.
O sangue dela corre em mim, e me impulsiona. Em sua honra, ergo-me e falo.
A depressão que ronda minha família — por parte de minha bisavó — tem um nome: falta de origem.
A história começou, mas não sabemos onde, como, ou quem foram aqueles que vieram para dar início a essa jornada.
Essa ausência é uma ferida exposta, que só encontra algum sentido na fé — na ideia de Deus que preenche o que nos falta.
Talvez se minha bisavó tivesse vivido na era das redes sociais, talvez ainda assim ela tivesse silenciado —
porque seu medo era real: que alguém encontrasse sua família aqui e a destruísse.
Mas eu não tenho esse luxo. Não posso trair sua memória.
Hoje escrevo porque lembro de minha bisavó por parte de mãe, Kalena Mitrak, com os punhos cerrados contra o peito,
carregada de silêncio, mas viva em minha alma. Escrevo porque o direito de falar me foi roubado por um passado que ela sofreu.
E, nesta peça de texto, sua voz e a minha se unem, finalmente livres.
🌹 Minha bisavó por parte de mãe ficou calada para sobreviver. Eu falo para honrar.

O Dedo e o Anel

Texto de minha própria autoria com base em estudos de Geopolítica e política interna -
Guilherme Menezes 
O Dedo e o Anel
O Foro de São Paulo, criado em 1990, rapidamente contou com a participação de partidos do Brasil e da Venezuela. Décadas depois, já com China e Rússia ampliando sua influência global e os EUA acumulando erros estratégicos, consolidou-se um bloco de regimes que aprenderam a se perpetuar no poder explorando petróleo, narcotráfico e estruturas de corrupção.
Nesse cenário, Nicolás Maduro foi sancionado e exposto como líder de um regime autoritário sustentado por redes criminosas. O modelo, porém, não era exclusivo: diversas nações descobriram esse “método de eternidade política”.
Os EUA, percebendo o avanço dessa rede, pediram a Lula que declarasse o PCC e facções brasileiras como grupos terroristas. Lula se negou, reduzindo-os a “jovens excluídos que roubam celulares para comprar cerveja”. Mas a verdade já estava evidente desde os anos 1980, quando os morros do Rio passaram a ter donos. O Brasil já era um narco-Estado embrionário.
Hoje, com a Lei Magnitsky chegando às portas do STF, especialmente sobre Alexandre de Moraes, as mídias oficiais repetem o teatro dos tempos do governo Lula: “dar o dedo para não perder o anel”. Cortam pequenas partes do esquema – denunciam frações do tráfico e da corrupção – mas preservam o núcleo, o anel que mantém a casta política intacta.
A Globo, pressionada pelas redes sociais que agora expõem tudo em tempo real, teria fechado um pacto: Lula seria preso e depois solto, apenas para manter o anel em segurança. E como mágica, o PCC passou a ser tratado como “quase um grupo terrorista”, mesmo já estando profundamente infiltrado em todas as engrenagens do Estado – um espelho perfeito do que acontece na Venezuela com o Cartel de los Soles.
A metáfora do dedo aparece outra vez: Celso Daniel, morto em 2002, foi muito mais que um dedo cortado – foi sangue derramado para blindar o projeto de poder e a vitória de Lula em 2003. Desde então, a simbiose entre o PT e o narcotráfico só cresceu, engolindo Judiciário, Senado, Polícia Federal e instituições inteiras.
Agora, com o avanço do globalismo e a impossibilidade de esconder verdades na internet, o Brasil vive o dilema:
- Se reconhecer oficialmente o PCC como grupo terrorista, abre a porta para intervenções internacionais obrigatórias nos moldes das alianças globais.
- Se não reconhecer, tenta cortar um “dedinho” para mostrar serviço e preservar o “anel” do poder, mantendo intacta a estrutura que sustenta Lula e o sistema.
Para os EUA, o risco central não é a censura de Moraes, mas a fusão entre narcotráfico e Estado brasileiro. Isso sim configura ameaça internacional. Contudo, os EUA estão presos ao princípio da soberania, que impede ações bélicas diretas – mesmo diante de ditaduras e narcoestados.
O equilíbrio do planeta depende desse jogo: se alguém ousar cortar não apenas um dedo, mas a mão inteira, o mundo entraria em colapso. E assim, segue o teatro: cortam-se dedos diante das câmeras, mas o anel volta sempre ao dedo de Lula – o Nicolás Maduro do Brasil.